Meio-elfos e Mortalidade - As
Escolhas de Tolkien - Parte 2
Por Estela "Swanhild" Rodrigues
Tradução: O ponto de vista é de que
os Meio-elfos têm um poder de escolha (irrevogável), que pode ser
adiado mas não permanentemente, de qual destino eles irão
partilhar. Elros escolheu ser um Rei e longevo, mas mortal;
portanto todos os seus descendentes são mortais, e de uma raça
particularmente nobre, mas com longevidade decrescente: Aragorn,
por exemplo (que, contudo, tem um período de vida maior que seus
contemporâneos, o dobro dos Homens, mesmo que não seja o original
triplo dos numenoreanos). Elrond escolheu estar entre os Elfos.
Seus filhos – com uma linhagem élfica renovada, já que sua mãe era
Celebrían, filha de Galadriel – têm que fazer suas escolhas. Arwen
não é uma reencarnação de Lúthien (o que em vista desta história
mítica seria impossível, já que Lúthien morreu como uma mortal e
deixou o mundo do tempo), mas apenas uma descendente muito
semelhante a ela em aparência, caráter e destino. Quando ela se
casa com Aragorn (cuja história de amor, contada em outro lugar,
não é central aqui e é ocasionalmente citada) ela “faz a escolha
de Lúthien”; assim a tristeza na despedida entre ela e Elrond é
especialmente pungente. Elrond passa sobre o Mar. O fim de seus
filhos, Elladan e Elrohir, não é dito: eles adiam suas escolhas, e
permanecem por um tempo.
“The Half-elven, such as Elrond and Arwen, can choose to which
kind and fate they shall belong: choose once and for all.” (Carta
154, 25 de setembro de 1954)
Tradução: Os meio-elfos, como Elrond e Arwen, podem escolher a
qual parentela e destino eles pertencerão: escolher uma vez e em
definitivo.
“Arwen was not an elf, but one of the half-elven who abandoned her
elvish rights.” (Carta 345, 30 de novembro de 1972)”
Tradução: Arwen não era uma elfa, mas uma dos meio-elfos que
abandonou seus direitos élficos.
O status da mortalidade dos filhos de Elrond, entretanto, requer
uma discussão mais cuidadosa. Essa mortalidade estava condicionada
a uma escolha que devia ser feita por cada um dos três filhos
individualmente, de forma semelhante ao que aconteceu com os
meio-elfos que receberam dos Valar a permissão para escolher o
próprio destino na Primeira Era. Entretanto, ao contrário do que
normalmente se observa, a escolha a ser feita pelos filhos de
Elrond era de natureza totalmente diferente da que fora feita por
Eärendil, Elwing e seus dois filhos. A questão é ainda complicada
pelo fato de que Tolkien exprimiu em seus escritos duas concepções
diferentes a respeito da natureza desta escolha.
Uma dessas concepções aparece nas cartas de Tolkien, nos mesmos
textos que citamos acima para demonstrar o uso do termo
“meio-elfo” relacionado aos filhos de Elrond. De acordo com esses
textos, todos os meio-elfos têm o direito de escolher o status de
sua mortalidade: se seus fëar habitarão Arda durante toda a
existência desta, ou se após a morte eles deixarão os Círculos do
Mundo. Esta escolha pode ser feita por eles a qualquer momento, e
pode ser adiada indefinidamente. Enquanto a escolha não é feita os
meio-elfos prosseguem vivendo, de forma semelhante aos elfos; a
mortalidade humana não os atinge e eles não envelhecem nem morrem
dentro do período normal de vida de um humano. Conforme vemos nas
citações, Tolkien descreveu essa concepção pela primeira vez em
duas cartas de setembro de 1954, e chegou a mencioná-la uma
terceira vez em uma carta de 1972.
Esta concepção, apesar de estar expressa nas palavras do próprio
Tolkien, tem vários problemas. O primeiro deles é ser incompatível
com o que se diz sobre a mortalidade dos filhos de Elrond em
partes dos Apêndices do Senhor dos Anéis que foram escritas na
mesma época das cartas citadas acima. O segundo é não explicar de
forma completa o drama de Arwen na Tale of Aragorn and Arwen
(Senhor dos Anéis, Apêndice A). |
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