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Meio-elfos e Mortalidade - As Escolhas de Tolkien - Parte 1
Por Estela "Swanhild" Rodrigues

Primeira parte de um estudo sobre o problema de se determinar o status de mortalidade dos meio-elfos. Apresenta possíveis definições do que seja um meio-elfo, a relação entre a ascendência mestiça e o status de mortalidade, e qual seria esse status em alguns dos personagens do legendário.

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Parte I - A primeira Era, os descendentes de Elros e a casa de Dol Amroth

De todas as histórias que Tolkien escreveu em sua extensa obra, uma das que mais atraem os leitores é o conto de Aragorn e Arwen, localizado no Apêndice A d'O Senhor dos Anéis. Este texto resume em suas poucas páginas um dos maiores dramas de todo o legendário tolkieniano, e, convém lembrar, de nossa própria realidade: o conflito que todo ser humano enfrenta entre o amor ao mundo e o desejo de se prender para sempre a ele, e a mortalidade, pela qual o homem deve inevitavelmente abrir mão desse mundo, sem garantias de compensação em troca. Tolkien atribuía tamanha importância a este conflito que ele afirmou consistentemente ser este o principal tema de O Senhor dos Anéis:

"I do not think that even Power or Domination is the real centre of my story. It provides the theme of a War [...], but that is mainly 'a setting' for characters to show themselves. The real theme for me is about something much more permanent and difficult: Death and Immortality: the mystery of the love of the world in the hearts of a race 'doomed' to leave and seemingly lose it; the anguish in the hearts of a race 'doomed' not to leave it, until its whole evil-aroused story is complete." (Letters 186)

Tradução: "Eu não penso que mesmo Poder ou Dominação sejam o verdadeiro tema central da minha história. Ela provê o tema de uma Guerra [...], mas isto é principalmente um "cenário" para os personagens mostrarem a si mesmos. O tema real para mim é algo muito mais permanente e difícil: Morte e Imortalidade: o mistério do amor ao mundo nos corações de uma raça "condenada" a deixá-lo e aparentemente perdê-lo; a angústia nos corações de uma raça "condenada" a não deixá-lo, até que toda a sua história originada no mal esteja completa."

"I should say, if asked, the tale is not really about Power and Dominion: that only sets the wheels going; it is about Death and the desire for deathlessness." (Letters 203)

Tradução: "Eu diria, se me perguntassem, que a história não é realmente sobre Poder e Dominação: isto apenas põe as engrenagens em marcha; é sobre Morte e o desejo pela longevidade."

"[...] it is only in reading the work myself (with criticisms in mind) that I become aware of the dominance of the theme of Death." (Letters 208)

Tradução: "É apenas ao ler o trabalho eu mesmo (com um enfoque crítico em mente) que eu me torno consciente da dominância do tema da Morte."

"But I might say that if the tale is 'about' anything (other than itself), it is not as seems widely supposed about 'power'. [...] It is mainly concerned with Death, and Immortality; and the 'escapes': serial longevity, and hoarding memory." (Letters 211)

Tradução: "Mas eu devo dizer que se a história é sobre alguma coisa (além de si mesma), não é, conforme parece ser largamente suposto, sobre "poder". [...] Ela diz respeito principalmente à Morte e à Imortalidade, e às possibilidades de fuga: longevidade serial e memória cumulativa."

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