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Sobre os Elfos
Por Daniel "Eriadan" Cersosimo

A respeito dos Elfos

De todos os povos criados ou adaptados por Tolkien, existe um que é, particularmente, complexo: os elfos, o Belo Povo, os Primogênitos de Ilúvatar. Sua cultura representa uma parcela considerável da atenção do autor à obra, tal qual a rica história da raça. E o resultado de seu empenho e criatividade foi positivo para o estilo fantástico de uma forma geral: pela primeira vez numa mitologia, os elfos não eram sinônimos de meras fadas ou duendes inofensivos sem qualquer embasamento mitológico e, apesar de belos e de seu amor pela natureza do mundo, eram capazes de ser terríveis e até mesmo cruéis, mesmo que isso não correspondesse com sua natureza instintiva.

1. História

É particularmente difícil discursar sobre uma raça tão numerosa, dispersa e rica em seus detalhes. Dá-se aqui uma noção geral sobre a história do Belo Povo, de sua origem até seu desaparecimento da Terra-média.

Na Era das Estrelas, a Terra-média vivia em penumbra. Os Valar, que haviam previsto os elfos como os primeiros Eruhíni (Filhos de Deus) a despertarem, não sabiam exatamente quando e onde isso aconteceria, e temiam o que poderia lhes acontecer se Melkor, o Vala maligno (que, sendo ele mesmo um "anjo", apesar de renegado, também estava ciente dos elfos), descobrisse primeiro sua existência.

Aconteceu então de os Valar se reunirem no Círculo da Lei em Valmar, sua cidade, e de tamanha importância era o assunto que todos eles compareceram, até mesmo Ulmo, o Senhor das Águas, que não costuma pisar em terra firme. Mas, enquanto discutiam, Varda, a Valië da Luz e das Estrelas, se afastou da reunião, mergulhada em suas próprias preocupações, e, decidindo por si mesma, possivelmente movida por um desígnio de Ilúvatar, iniciou uma longa labuta para o firmamento, em que criou as maiores e mais fortes estrelas que já existiram. E, quando a radiante Menelmacar atravessou os céus como uma chama, os elfos despertaram no leste da Terra-média, próximo ao lago de Cuiviénen, que lhes refletiu as estrelas de Varda, as quais eles eternamente amaram.

Eram eles 144 no total. No conto em que Tolkien detalha seu surgimento, diz-se que os homens acordaram primeiro e descobriram suas esposas, e naquele início de vida logo descobriram entre si a identidade e a comunicação.

O que era temido, porém, aconteceu: Melkor, que já naquela época mantinha seus espiões perscrutando toda a Terra-média, soube da existência dos elfos antes de qualquer outro vala. Imediatamente, enviou seus espíritos demoníacos para os atormentar, e aqueles de coração mais fraco que foram seduzidos ou capturados foram levados a Utumno, sua fortaleza no norte, e acabaram se tornando, através de torturas e magia fortíssimas, os progenitores da raça dos orcs. Esse foi o feito mais vil de Melkor à visão de Ilúvatar.

Oromë, o Caçador, e Yavanna, a Provedora de Frutos, apesar do aparente abandono da Terra-média por parte dos Valar, ainda a amavam e iam até ela muitas vezes, e foi em uma de suas viagens ao leste que Oromë, perseguindo com suas hostes as criaturas de Melkor, descobriu os elfos e se apaixonou por aquele povo novo, aguardado com tanta ansiedade. Por um tempo, viveu entre eles (que, pelo amor que eles demonstravam pelas estrelas de Varda, chamou eldar, o Povo das Estrelas), guiando-lhes e aprendendo sobre eles, até que retornou a Aman e alertou os Valar, que tomaram finalmente uma decisão e deram fim ao dominio de Melkor na Terra-média. Destruindo sua fortaleza no norte, aprisionaram-no nas profundezas de Aman sob sua eminente guarda, ao mesmo tempo em que convocaram os elfos a fugir da Terra-média até lá numa grande marcha que seria liderada por Oromë, pois não haviam conseguido deter a fuga de todos os espíritos dos quais Melkor era senhor, e esses ainda permaneciam na Terra-média; além disso, também desejavam a companhia dos Filhos de Ilúvatar.

Nesta que ficou conhecida como a Grande Viagem, deram-se as primeiras cisões entre os elfos (veja o tópico 2 deste texto), e os três "embaixadores" que haviam ido a Valinor como testemunhas da terra dos Valar para convencerem seu povo se tornaram os primeiros governantes daqueles que aceitaram a convocação: Finwë, líder dos noldor, Ingwë, líder dos vanyar, e Elwë, a princípio líder de todos os teleri. Muitos elfos chegaram de fato a Valinor, a terra prometida pelos Valar, mas muitos também permaneceram, e estes foram chamados moriquendi [Quenya: mor="escuridão"; quendi="falantes"="elfos"], os elfos que jamais viram a Luz das Árvores de Valinor, enquanto aqueles que foram até o fim foram chamados Calaquendi [Quenya: cala="luz"], os elfos-da-luz.

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