Ensaios: Os
Senhores de Andúnië
de Fernanda "Gwen" Esteves
Tar-Aldarion,
VI rei de Númenor, era primo de Valandil, primeiro senhor de
Andúnië, e o seu avô era Vëantur, capitão de navios. Herdou do avô
o seu amor pelo mar e gostava de construir barcos. Foi com Vëantur
que fez a sua primeira grande viagem à Terra Média, ficando grande
amigo de Gil-galad e Círdan, com quem aprendeu muito sobre navios.
Também ajudou e aconselhou Gil-galad, ensinando-lhe muitas coisas
acerca dos Homens e da sua língua, sendo sempre um grande amigo
dos Elfos da Terra Média. Formou a Guilda dos Aventureiros, uma
fraternidade de marinheiros resistentes, que faziam grandes
viagens para a Terra Média. Estabeleceu um grande porto na foz do
rio Gwathló, Vinyalondë, mais tarde chamado Lond Daer, de forma a
resistir a ataques por terra ou por mar. Foi conselheiro de
Gil-galad e estabeleceu com ele uma aliança, quando o rei élfico
começou a notar que uma nova sombra estava a agitar-se e a crescer
perigosamente na Terra Média.
Os trabalhos de Aldarion no seu grande porto foram destruídos
muitas vezes, pelo mar e pela gente nativa que vivia nas
florestas, que se tornaram hostis aos numenoreanos, destruindo e
incendiando as suas obras; pois Sauron a isso os incentivou, ao
aperceber-se da importância do grande porto.
No entanto os alicerces já estavam lançados, e essa entrada em
Eriador foi de grande importância e decisiva para que o exército
de Sauron fosse derrotado e repelido muitos anos depois, quando
Tar-Minastir, XI rei de Númenor, enviou uma grande armada em
auxílio de Gil-galad, na primeira guerra contra Sauron. Os
numenoreanos desembarcaram no pequeno porto construído por
Tar-Aldarion e atacaram Sauron pela retaguarda e sem ele esperar,
e os seus exércitos foram completamente desbaratados na batalha de
Gwathló, tendo ele próprio escapado por um triz. Sauron,
completamente vencido e humilhado, regressou a Mordor, onde jurou
vingar-se de Númenor.
De início, os numenoreanos tinham ido para a Terra Média e ajudado
os homens atormentados por Sauron; mas depois os reis de Númenor
tornaram-se sôfregos de riqueza e poder e os seus portos
transformaram-se em fortalezas. Começaram a exigir pesados
tributos aos Homens da Terra Média e os seus navios regressavam
carregados de despojos; também começaram a anelar pelas águas
proibidas do Ocidente e a desejar a imortalidade dos Elfos.
O rei Tar-Atanamir foi o 1º que se pronunciou abertamente contra a
interdição dos Valar e muitos numenoreanos pensavam como ele; os
seus corações estavam contra os Valar e os Elfos, mas ainda temiam
os Senhores do Ocidente e não os provocavam. E apesar da riqueza e
o poder dos numenoreanos continuarem a aumentar, a felicidade
abandonou-os, a sombra adensou-se e os seus anos de vida
diminuíram. Então os numenoreanos dividiram-se: de um lado os reis
e aqueles que os apoiavam e se afastavam dos Elfos e dos Valar; do
outro, os poucos que se autodenominavam Fiéis.
Pouco a pouco, os reis e os seus partidários abandonaram o uso das
linguas élficas e, por fim o 20º rei escolheu o seu nome real em
numenoreano: Ar-Adûnakhôr, “Senhor do Ocidente”. Isto pareceu de
mau presságio aos Fiéis; e Ar-Adûnakhôr começou a perseguir os
Fiéis e a punir os que usavam as línguas élficas abertamente. E os
Elfos deixaram de ir a Númenor.
Mas os Fiéis conservavam a sua amizade com os Elfos e quando
viajavam para a Terra Média iam só para o Norte, para o reino de
Gil-galad. O seu porto era Pelargir e auxiliaram Gil-galad na sua
luta contra Sauron, cujo poder voltou a crescer. Entre aqueles que
Sauron enganou com os nove anéis, três eram grandes senhores de
raça numenoreana.
Ar-Gimilzôr, o 22º rei, foi o maior inimigo dos Fiéis. No seu
tempo, a árvore branca foi negligenciada e começou a declinar; e
ele proibiu completamente o uso das línguas élficas e punia todos
aqueles que davam as boas-vindas aos Elfos. |

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