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Ensaios: Existe o Mal Absoluto em Eä?
de Marcos "Elwë" Silva

Este é um assunto interessantíssimo e fascinante, apesar de muitas vezes ser controverso e sujeito a diversas interpretações. Interpretações que muitas vezes podem (e devem) levar em consideração a religião, a filosofia e a história, dentre outras questões tão ou até mais importantes. É um assunto que requer um certo cuidado ao ser discutido, pois toca em conceitos arraigados no íntimo de cada um e que são conceitos "delicados", pois encerram em si próprios toda uma gama de fatores culturais, religiosos, filosóficos e também, como não poderia deixar de ser, materiais. Porém, é um assunto que encerra algumas "chaves" para a compreensão do universo criado por Tolkien, pois remete à sua criação, ao desenrolar de sua história e, finalmente, ao destino de tudo. Por isso, lidarei aqui com tal questão de forma respeitosa e cuidadosa, lembrando que o que aqui vai ser exposto reflete minhas opiniões pessoais, as quais formei buscando na obra as explicações que julguei necessárias, tirando daí, então, minhas conclusões.

Existiria o Mal absoluto em Eä e/ou na obra de Tolkien?

Existiria o "mal absoluto" em Eä e, conseqüentemente, na obra de Tolkien, conforme afirmam alguns? Existiria, também, algum ser totalmente "mau" desde seu início/criação? Em contrapartida, seria o mal, em Eä e na obra de Tolkien como um todo, passível de redenção?

Seria Melkor maléfico desde sua criação?

Gostaria de iniciar discorrendo sobre um ser que, acredito, seja a chave para a elucidação deste assunto. Um ser que, talvez, seja o mais "odiado" em todo o Legendarium. Um ser que, por muitos, é considerado o "Lúcifer" de Eä. Este ser é Melkor/Morgoth, aquele que foi chamado de "Sinistro Inimigo do Mundo", muito propriamente.

Melkor, que muitas vezes foi e é considerado um ser mau desde sua origem; aquele ser que, muitas vezes, é considerado incapaz de alguma vez ter abrigado em seu íntimo algum tipo de bondade, tendo desta forma o mal intrínseco a si. Aquele que seria, nesta visão "extremamente pessimista", a antítese do bem, a encarnação do Mal, o mal personificado. E, finalmente, ainda sob esta ótica, aquele que seria completamente excluído de qualquer "perspectiva de redenção", ou seja, um ser "condenado" à eterna "escravidão" do mal. Tomei aqui a liberdade de citar Melkor como essa "personificação" do mal, a qual muitas vezes é citada em várias fontes, por acreditar que ele é o maior exemplo existente na obra, sobre o Mal.

Obviamente, a resposta para estas questões deve ser procurada na própria obra, e por isso, gostaria aqui de citar alguns trechos muito elucidativos: 

Tolkien, no Silmarillion, escreveu:
Citando:

"Havia Eru, o Único, que em Arda é chamado de Ilúvatar. Ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por seu pensamento, e eles lhe faziam companhia antes que tudo o mais fosse criado."

Este pequeno trecho, básico, auto-explicativo, por si só já bastaria para afirmarmos categoricamente que o "Mal" nunca poderia ser inerente a qualquer ser ou a qualquer coisa, pois "tudo o que existe" teve sua origem no "pensamento" de Eru, pensamento este que jamais poderia conter qualquer traço de maldade, pois Eru nunca poderia ter concebido o Mal, haja vista sua superioridade e sua não submissão a tais conceitos de "bem" ou "mal", pois ele a tudo originou.

Esta premissa básica na obra, a qual determina uma origem totalmente neutra (ou isenta de mal) a todas as criaturas de Eru, tem também sua origem nas convicções religiosas de Tolkien, pois este era um adepto do catolicismo e, também neste, o mal surgiu como um "desvio" das criaturas de Deus, como uma fuga destas dos desígnios originais do criador (haja visto Adão e Eva e Lúcifer/serpente). Também na bíblia, tendo todos os seres sua origem em Deus, estes não poderiam ter sido criados com algum princípio mau dentro de si, pois tiveram origem no criador de tudo, o qual também não estava submisso a tais conceitos de "bem" ou "mal".

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